Investimentos alternativos

O que são investimentos alternativos

Investimentos Alternativos
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Quando se fala em investimentos, normalmente o que vêm à cabeça são ou títulos de renda fixa, como Tesouro Direto e CDB, ou ativos listados na bolsa, como ações e cotas de fundos. Mas há toda uma gama de possibilidades que estão além dessas. Estes são os chamados investimentos alternativos.

O que são investimentos alternativos?

Investimentos alternativos não é um nome genérico que se dá a alternativas de investimentos. Trata-se, isso sim, de uma categoria de ativos que apresentam características em comum. 

Os investimentos alternativos têm em comum algumas características principais:

Por essas características, os investimentos alternativos são de maior risco que os mais tradicionais. Não são investimentos para uma reserva de emergência, por exemplo. O ganho de capital destes investimentos acontecem após ciclos de anos, vinculados a um evento chamado de “saída”, que é quando o investidor realiza o seu investimento.

Os investimentos alternativos não estão listados em nenhuma bolsa, e acessá-los não é trivial. Mas isto não significa que sejam investimentos não regulados. A lei 10.198/2001, coloca sob a supervisão da CVM todos os contratos de investimento coletivo, por exemplo, mesmo os que não são negociados em bolsa.

Por suas características, a performance dos investimentos alternativos não têm correlação com os demais mercados. Ou seja, para darmos um exemplo, uma queda estrutural nos índices da bolsa não necessariamente vai reduzir o valor de uma empresa de capital fechado. O valor desta companhia vai depender de sua própria performance.

Por essas características, os investimentos alternativos são uma opção interessante para diversificação de investimentos. Ainda mais considerando o cenário atual de juros estruturalmente baixos. 

Tipos de investimentos alternativos

Por definição, pode haver uma infinidade de tipos de investimentos alternativos. Os mais comuns, no entanto, são:

Venture Capital

A Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCap) define venture capital como “um tipo de investimento que envolve a participação em empresas com alto potencial de crescimento e rentabilidade, através da aquisição de ações ou de outros valores mobiliários, com o objetivo de obter ganhos expressivos de capital a médio e longo prazo”.

Ou seja, venture capital é uma modalidade de investimento no qual o investidor assume uma posição de alto risco para obter em troca um retorno igualmente alto, por meio do crescimento acelerado da empresa investida. 

Private Equity

Private Equity é o nome que se dá ao investimento por meio da aquisição de participação societária em empresas de capital fechado.

A ABVCap diferencia o private equity do venture capital da seguinte forma: “Enquanto o venture capital está relacionado a empreendimentos em fase inicial, o private equity está ligado a empresas mais maduras, em fase de reestruturação, consolidação e/ou expansão de seus negócios”.

Ou seja, enquanto o venture capital investe nas empresas nas suas fases iniciais, o private equity entra quando elas estão validadas e com um porte de médio a grande. Para dar uma ideia de tamanhos: no quarto trimestre de 2020 o investimento médio em venture capital foi de R$ 67 milhões, e o de private equity foi de R$ 409 milhões.

Ativos de infraestrutura

Investimentos em infraestrutura são importantíssimos para o crescimento da economia, como projetos de saneamento básico, energia e transporte financiados por capital privado.

Quando se fala em ativos de infraestrutura na classe de alternativos, tratam-se de operações de crédito privado de longo prazo que normalmente possuem benefícios como no caso dos Fundos Incentivado de Investimento em Infraestrutura (FI-Infra), com isenção de imposto de renda para pessoas físicas.

Investimentos imobiliários

No Brasil, é muito popular o conceito de investir em imóveis para se viver de renda, ou seja, receber mensalmente um valor específico pela locação do espaço. Mas existem vários instrumentos financeiros para viabilizar o investimento imobiliário sem, necessariamente, comprar um imóvel.

Há diversas formas de entrar no mercado imobiliário como forma de investimento alternativo, que podem oferecer rentabilidades convidativas para o longo prazo e com baixa liquidez.

Distressed assets

Os ativos estressados ou ativos podres, é uma modalidade de investimento de altíssimo risco, como o próprio nome deixa evidente. Trata-se, aqui, de investimento em ativos com elevada depreciação, muitos deles relacionados a massas falidas. Quem investe em um negócio falido ou em recuperação judicial aposta na retomada da operação, e a consequente valorização do ativo investido. 

Por exemplo, no caso brasileiro, empresas em recuperação judicial podem separar parte do seu negócio em Unidades Produtivas Isoladas (UPI), que são vendidas para investidores. Com o dinheiro levantado nessa venda, a empresa paga as dívidas abarcadas na recuperação judicial.

Outras modalidades de distressed assets são créditos inadimplentes. Empresas especializadas compram com desconto o direito de cobrar por dívidas em atraso, assumindo a tarefa de negociá-las e tomando o risco de não conseguir recuperá-las.

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Legal claims

Legal claims são direitos financeiros relacionados a disputas judiciais. Empresas podem vender esses direitos com desconto para investidores dispostos a assumirem o risco do longo tempo até o recebimento ou de eventual derrota, em uma operação similar à da antecipação de recebíveis.

Um exemplo de legal claim é o mercado de precatórios. Quando o governo perde uma ação e é obrigado a indenizar alguém, ele pode fazer esses pagamentos por meio de títulos judiciais. O credor do governo pode, por sua vez, vender esses títulos com desconto para garantir a disponibilidade imediata do recurso devido pelo governo. Um investidor assume este direito e faz a cobrança do governo.

Nos Estados Unidos, um exemplo interessante de legal claim é o mercado de fiança. Uma pessoa presa pode ser libertada sob fiança, estabelecida pelo juiz de instrução do processo. Caso o réu seja julgado inocente pelo tribunal, o valor da fiança é reembolsado pelo sistema criminal. Então, um investidor paga a fiança e assume o direito de receber o reembolso em caso de inocência.

Precatórios

Os precatórios são requisições de pagamento expedidas pelo judiciário para cobrar um determinado valor que é devido pelo governo federal, estadual ou municipal. Essa solicitação é feita após a ação não ter mais espaço para recurso. 

O investidor compra o título com deságio, ou seja, mais barato que o valor de face determinado pela justiça. O autor da ação recebe esse valor menor antes do prazo que iria receber. E o investidor aguarda até o pagamento pelo governo para receber o investimento reajustado. 

Trata-se de um ativo alternativo com grande potencial de rentabilidade, mas com baixa liquidez e sem a proteção do Fundo Garantidor de Crédito ou regulação do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 

Não há mercado secundário para a venda do título antes da hora, portanto, é recomendado destinar parte do orçamento que não será necessária no curto/médio prazo. 

Performance comparativa dos investimentos alternativos

Um estudo realizado pela ABVCap em parceria com o Insper e a Spectra apontou que os investimentos em private equity e venture capital tiveram performance superior à Selic e Ibovespa no Brasil entre 1994 e 2018. No periodo analisado, a indústria de private equity e venture capital apresentou ganhos anuais médios de 29,3%, um prêmio de 19% sobre a renda fixa e a variável.

A mesma performance foi verificada no mercado internacional. Em comparação com a taxa de juros do Federal Reserve e o S&P 500, a indústria de private equity e venture capital nos Estados Unidos apresentou prêmio de 11% nos ganhos anuais.

comparação da performance de private equity e vebture capital

Como acessar investimentos alternativos

Há vários caminhos para um investidor acessar as oportunidades de investimentos alternativos As principais no mercado de capitais brasileiro são os fundos de investimento e as plataformas de investimentos alternativos, também conhecidas como plataformas de equity crowdfunding.

Fundos de Investimento

O fundo de investimento é uma espécie de condomínio por meio do qual os cotistas investem coletivamente em ativos alinhados à sua tese de investimento. Há fundos especializados, por exemplo, em renda fíxa, ações, ativos imobiliários, private equity, ativos cambiais e outros.

No caso dos investimentos alternativos, os mais comuns, embora não sejam os únicos, são os fundos de investimento em participações, os FIPs, regulamentados pela Instrução 578 da CVM. O mais comum são os FIPs investirem em participação por meio de ações ou cotas de empresas de capital fechado, mas também podem investir em diversos outros tipos de valores mobiliários emitidos por empresas, entre eles “bônus de subscrição, debêntures simples, outros títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de companhias, abertas ou fechadas”.

Um FIP pode fazer uma captação de investimentos por meio de oferta pública ou restrita de cotas. Quando o fundo realiza uma oferta pública, suas cotas são negociadas por meio de corretoras de valores. Já quando a oferta é restrita, os gestores do fundo procuram proativamente os investidores que podem estar interessados no investimento, Geralmente, neste caso, a oferta é feita a investidores qualificados.

Plataforma de Alternativos ou Equity Crowdfunding

Já as plataformas de investimentos alternativos ou equity crowdfunding permitem negociar diretamente os valores mobiliários emitidos pelas empresas. Esta modalidade é regulamentada pela Instrução 588 da CVM, e até o momento está disponível para empresas com faturamento anual de até R$ 10 milhões. Esta regra está sendo revisada e este limite pode ser elevado.

Uma plataforma de equity crowdfunding precisa estar registrada na CVM para realizar ofertas públicas de títulos. Por ser focada em empresas de menor porte, o processo é mais simples que uma oferta pública de ações, por exemplo. A beegin.invest, empresa do Grupo Solum, é uma plataforma focada em empresas pequenas e médias, já validadas pelo mercado.

Para quem são os investimentos alternativos

Embora os investimentos alternativos sejam adequados para compor a carteira de todo tipo de perfil de investidor, desde que de maneira planejada, são mais procurados por investidores com perfil arrojado. Ou seja, estamos falando de investidores com maior apetite a risco, por conta de diferentes fatores, como tamanho do patrimônio, crenças e valores pessoais.

Além disso, por conta da baixa liquidez, o investidor deve aplicar em investimentos alternativos a parte do seu patrimônio que pretende rentabilizar no longo prazo. Reservas aplicadas para serem utilizadas no curto prazo devem ser direcionadas para investimentos líquidos, porque desta forma estão mais facilmente disponíveis em caso de necessidade.

Um investidor que olha para este tipo de investimento normalmente é movido por outras motivações além do retorno financeiro. Por exemplo, um empreendedor bem sucedido pode querer investir em projetos de outros empreendedores. Já um executivo que conduziu casos de recuperação judicial pode ser movido a investir em negócios em dificuldades, para compartilhar sua experiência na retomada.

De qualquer forma, o mercado de investimentos alternativos está evoluindo e se tornando cada vez mais acessível a vários investidores. Por meio dos cursos da Solum.ed, você pode explorar ainda mais este universo e descobrir quais investimentos alternativos são para você.

Perguntas Frequentes 

O que são investimentos alternativos?

Investimentos alternativos são uma categoria de ativos com duas características principais: baixa liquidez e retorno no longo prazo. Eles também apresentam maior risco ao investidor.

Quais são os investimentos alternativos?

São considerados investimentos alternativos o Venture Capital, Private Equity, Distressed Assets e Legal Claims, entre outros.

O que é private equity?

Private Equity é o nome que se dá ao investimento por meio da aquisição de participação societária em empresas de capital fechado.

O que é venture capital?

Venture capital é o investimento de alto risco em negócios que estão em fase inicial.

Crédito da foto: Business photo created by pressfoto – www.freepik.com

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